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Arquitetura moderna brasileira: origens, obras e debates

Foto do escritor: Allison OIiveira
Allison OIiveira
há 6 horas
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Atualizado: há 2 horas

Foto da esquerda: Edifício Copan (ArchDaily) | Foto do centro: MASP (Acervo MASP) | Foto da direita: Palácio da Alvorada (Palácio do Planalto)
Foto da esquerda: Edifício Copan (ArchDaily) | Foto do centro: MASP (Acervo MASP) | Foto da direita: Palácio da Alvorada (Palácio do Planalto)

Introdução

A arquitetura moderna brasileira ganhou reconhecimento internacional e ainda divide opiniões. Seus edifícios são símbolos de cidades e do próprio país, mas também são alvo de discussões sobre identidade, ideologia e conservação. Este texto percorre suas origens, comenta três obras representativas (Copan, MASP e Palácio da Alvorada) e apresenta os principais debates que ela levanta.


Origens: dos anos 1920 ao Ministério da Educação

Os debates sobre arquitetura moderna no Brasil começam de forma tímida nos anos 1920. Um papel de destaque cabe ao manifesto do arquiteto de origem russa Gregori Warchavchik, publicado em 1925 (PIGNATON, 2021). A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco cultural mais amplo, mas as discussões propriamente arquitetônicas tomaram outro rumo, com polêmicas em jornais e congressos sobre identidade nacional, progresso e o lugar da razão e da emoção no projeto (PIGNATON, 2021).

A consolidação veio com obras que se tornaram unanimidade: a antiga sede do Ministério da Educação e Saúde, o conjunto da Pampulha, o conjunto do Pedregulho e Brasília (MOURA, 2014). O Ministério, projetado em 1936 por Lucio Costa e equipe com consultoria de Le Corbusier, é o ponto de partida mais citado.


Influência estrangeira e adaptação local

Não se tratou de romper com a Europa. A arquitetura moderna brasileira foi fortemente influenciada por Le Corbusier e pela Bauhaus, mas alcançou uma disseminação incomum. Nos anos 1950, o modernismo foi popular no país e chegou ao centro da identidade nacional, algo raro em outros lugares, onde a arquitetura moderna nunca foi popular (LARA, 2003). Também houve grande repercussão no exterior: mais de cem artigos sobre a arquitetura brasileira saíram em publicações estrangeiras entre 1947 e 1949 (LARA, 2003).


Três obras, três momentos

Edifício Copan (São Paulo). Encomendado em 1951 pela Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo a Oscar Niemeyer, para o IV Centenário da cidade, o projeto original incluía também um hotel. Problemas de financiamento fizeram Niemeyer deixar a obra, retomada em 1957 com o apoio do Bradesco e executada por Carlos Lemos (GAZETA DE S. PAULO, [s.d.]). A construção durou de 1952 a 1966 (LEMOS, [s.d.]). O resultado é o volume em "S" com seis blocos e 1.160 apartamentos, envolvido por brises de concreto. A fachada também recebeu pastilhas cerâmicas, cuja queda motivou uma restauração iniciada em 2015 (ESTADO DE MINAS, 2015).

Foto: Edifício Copan em obras / Reprodução (Folha de S.Paulo / ArchDaily)
Foto: Edifício Copan em obras / Reprodução (Folha de S.Paulo / ArchDaily)

MASP (São Paulo). O museu foi fundado em 1947 e mudou-se para o edifício da Avenida Paulista em 1968 (MASP, [s.d.]). O projeto de Lina Bo Bardi responde a uma exigência de preservar a vista do Vale do Anhangabaú: o corpo do museu fica suspenso por quatro pilares e dois grandes vigamentos de concreto protendido, deixando um vão livre de 74 metros (JULIANI, [ano]). A leitura corrente o associa ao brutalismo, com concreto aparente e estrutura exposta, o que mostra que a produção brasileira vai além das curvas.

Foto: MASP (Acervo MASP)
Foto: MASP (Acervo MASP)

Palácio da Alvorada (Brasília). Projetado por Niemeyer, foi o primeiro edifício inaugurado na nova capital, em 1958, dois anos antes da inauguração da cidade (DOCOMOMO JOURNAL, 2010). Suas colunas se tornaram símbolo de Brasília e do Distrito Federal.

Foto: Palácio da Alvorada
Foto: Palácio da Alvorada

Uma arquitetura plural

As curvas de Niemeyer são a face mais conhecida, mas não resumem o conjunto. A pergunta que atravessa a historiografia é se a modernidade brasileira é homogênea (SEGAWA apud MOURA, 2014). Ao lado da linha carioca, de formas livres, existe a produção paulista, mais estrutural e de concreto aparente, da qual o MASP e a FAU-USP, de Vilanova Artigas, são exemplos. [conferir: acrescentar fonte para Artigas]


Recepção crítica e preservação

O reconhecimento convive com problemas de conservação. O próprio Alvorada, apesar de ser símbolo do modernismo, chegou a ter infiltrações tão graves que, na visita do presidente Clinton em 1997, baldes foram colocados atrás de um biombo na sala de jantar oficial. A restauração só foi concluída em 2005, e a preservação do patrimônio moderno era, segundo o periódico, uma preocupação apenas nascente (DOCOMOMO JOURNAL, 2010). No Copan, a fachada ficou protegida por tela desde 2012 por causa da queda de revestimento (ESTADO DE MINAS, 2015).

Quanto às críticas ao urbanismo modernista, especialmente a Brasília, uma referência clássica é James Holston, A cidade modernista. HOLSTON, James. A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. Tradução de Marcelo Coelho. São Paulo: Companhia das Letras, 1993


Conclusão

A arquitetura moderna brasileira combina influência internacional, invenção local e forte valor simbólico. Ao mesmo tempo, exige olhar crítico: sobre sua diversidade, sobre o discurso que a consagrou e sobre o cuidado com o patrimônio que deixou.


Minha crítica e análise


Minha posição sobre a arquitetura moderna brasileira: É importante lembrar que a arquitetura moderna surgiu em meio a um período de turbulência: crise econômica, instabilidade política, revoltas internas, guerras e crises mundiais. Com o incentivo do governo Vargas para modernizar o Brasil, o movimento cresceu rapidamente, ainda que a tecnologia da época fosse mais limitada do que a atual. Sinto falta, porém, de estudos voltados a tornar esses edifícios mais acolhedores para quem os usa.

Quando visito obras modernistas dessa época, tenho a sensação de que foram projetadas, sobretudo, para expressar arte e beleza estética, deixando em segundo plano o conforto interno. Muitas não têm acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, e algumas receberam intervenções e adaptações para corrigir isso.

Acredito que o modernismo deveria seguir à risca a tríade vitruviana: venustas (beleza e estética), utilitas (funcionalidade e utilidade) e firmitas (estrutura e solidez). No entanto, muitos edifícios modernistas privilegiaram a estética em detrimento da funcionalidade e, hoje, exigem adaptações para atender seus usuários, principalmente aqueles com mobilidade reduzida.

Esta é a opinião de um arquiteto que fez várias visitas a essas obras e que expressa, de modo sucinto, sua percepção como usuário da arquitetura moderna.


O que mais me chamou atenção nas obras (Copan, MASP, Alvorada): A grandeza e a estética desses edifícios impressionam: todos reúnem muita beleza e os recursos propostos pelo modernismo. Ainda assim, todos passaram por adaptações para a vida cotidiana contemporânea, como em iluminação, proteção térmica e ar-condicionado. Apesar de toda a beleza, o edifício, por si só, não é capaz de atender a uma comunidade.


Pontos fortes e limites do modernismo brasileiro, na minha visão: Na minha visão, o principal ponto forte do modernismo brasileiro é a estética. Entre os limites estão o conforto interno e a acessibilidade, que muitas vezes ficaram em segundo plano nas obras originais.


Como avalio a preservação desse patrimônio hoje: Hoje a preservação é complicada, pois exige muitas intervenções para adaptar os edifícios e garantir a segurança dos usuários atuais. Essas intervenções, com frequência, acabam descaracterizando a obra original.


Acessibilidade e uso real dos espaços (ponto a desenvolver com fonte):Como venho dizendo, a acessibilidade nas obras originais é precária, e muitos edifícios precisam de adaptações para se tornarem totalmente acessíveis. Atualmente temos a NBR 9050 possuem diretrizes para os novos projetos.


Conclusão pessoal: Gosto de muitos dos princípios modernistas e da proposta do movimento. Hoje conseguimos explorar melhor o estilo, projetando edifícios que reúnem beleza, funcionalidade e solidez, sobretudo no que diz respeito à acessibilidade. Já quando a análise recai sobre as obras do início do modernismo brasileiro, os elogios dão lugar a críticas.


Sobre o autor


Allison Marques Oliveira é arquiteto e urbanista (CAU A250483-9).


Referências

DOCOMOMO JOURNAL. The Restoration of the Alvorada Palace. n. 43, 2010/2. Disponível em: docomomojournal.com/index.php/journal/article/download/81/400.

ESTADO DE MINAS. Fachada do Edifício Copan será restaurada a partir de 2ª. 1 out. 2015. Disponível em: em.com.br.

GAZETA DE S. PAULO. Memória: Copan, o edifício que surgiu como um presente para São Paulo. Disponível em: gazetasp.com.br/cotidiano/memoria-copan-o-edificio-que-surgiu-como-um-presente-para-sao-paulo/1116939.

JULIANI, Sophia. O Museu na Paulista: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Revista Arquitetura e Lugar, [ano]. ISSN 2965-291X.

LARA, Fernando L. C. Algumas questões sobre a extensão do Movimento Moderno no Brasil. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 5., 2003, São Carlos. Disponível em: docomomobrasil.com.

LEMOS, Carlos A. C. A história do Edifício Copan. [completar editora e ano].

MASP. Avenida Paulista (exposição). Disponível em: masp.org.br/exposicoes/avenida-paulista.

MOURA, Ana Amélia de Paula. Arquitetura moderna no Brasil. Estudos, Goiânia, v. 41, n. especial, p. 79-92, dez. 2014.

PIGNATON, Clara Bonna. O invariável, a norma e o desconhecido: a emergência da arquitetura moderna brasileira em debate. Risco, v. 19, 2021. DOI: 10.11606/1984-4506.risco.2021.157816.

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